Precificação em loja de moda: markup, margem e o erro de copiar o concorrente
O "custo × 2" esconde mais do que revela
Multiplicar o custo da peça por 2 (ou 2,2, ou 3) é o ponto de partida de quase toda loja — e o motivo de tanta loja que "vende bem" viver sem caixa. O markup de bolso ignora justamente o que come a margem: frete da compra, taxa da maquininha, condicional que volta, peça que encalha e vira liquidação.
O que precisa entrar na conta
- Custo real da peça: valor do fornecedor + frete + impostos da compra;
- Custos da loja diluídos: aluguel, luz, equipe e embalagem existem pra cada peça vendida, mesmo que não apareçam na etiqueta;
- Taxa do meio de pagamento: 4-6% no crédito parcelado sai da SUA margem, não da do banco;
- Desconto e liquidação futuros: parte da coleção sempre sai abaixo do preço cheio — o preço cheio precisa prever isso.
Copiar o preço do concorrente é terceirizar sua margem
O concorrente pode comprar mais barato, ter aluguel menor ou estar queimando estoque pra fechar as portas. Preço copiado sem conhecer os próprios números é aposta — às vezes você está deixando dinheiro na mesa, às vezes vendendo no prejuízo sem saber.
Margem por peça é decisão, não sorte
Peça básica de giro rápido aceita margem menor; peça de destaque, exclusiva ou de ticket alto sustenta margem maior. Precificar bem é escolher a margem de cada grupo de propósito — e só quem conhece seus custos consegue escolher.
O teste do fim do mês
Se o faturamento cresce e a sobra de caixa não acompanha, o problema raramente é venda — é precificação ou custo escondido. Fluxo de caixa organizado mostra isso em semanas, não em balanço de fim de ano.